Inteligência Emocional: emoções e o caso Phineas Gage

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A importância de desenvolvermos a inteligência emocional é cada vez maior  nesta Era de excessos de estímulos, desafios e fatores estressantes.

Assim, o lugar absoluto da razão passa a ficar comprometido em função das descobertas do papel das emoções na qualidade das nossas decisões, o que fica muito evidente no caso do Phineas Gage. Tal caso é citado por prestigiados neurocientistas, entre eles o professor António R. Damásio e a Doutora Carla Tieppo (ver curso)

carla tieppo 2 - Inteligência Emocional: emoções e o caso Phineas Gage

 Inteligência Emocional e o Papel das Emoções

Podemos notar, em meio a nossa cultura, uma valorização demasiada da razão e do pensamento cartesiano em detrimento das emoções, contudo, será que nossas decisões são puramente racionais? Ou melhor, será que a racionalidade exclui as emoções?

De modo a responder a essas perguntas, o neurocientista e professor da Universidade do Sul a Califórnia António R. Damásio nos apresenta o caso de ‘Phineas Gage’, caso este marcante nos estudos sobre a racionalidade e as emoções. Tal caso também é citado pela neurocientista Doutora Carla Tieppo (PUC- SP) em seu curso online Neurociências para Todos (veja o programa)

carla tieppo 1 - Inteligência Emocional: emoções e o caso Phineas Gage

‘Phineas Gage’ trabalhava, em 1848, como capataz para a Estrada de Ferro Rutland & Burlington (Nova Inglaterra). Era descrito como “o mais eficiente e capaz”, e assim, aos 25 anos, conquistou um posto de alta responsabilidade.

Phineas tinha sobre seu comando um grande números de trabalhadores dos quais mantinham a tarefa de abrir caminhos entre as rochas (por meio de explosivos) e assentar os trilhos da ferrovia.

 O Papel das Emoções: o intrigante episódio

Em uma escaldante tarde, com o intuito de explodir mais uma rocha e abrir um novo caminho, ‘Phineas Gage’ começa a colocar a pólvora … o rastilho e em seguida, pede a um ajudante para acrescentar areia no buraco.

Em intervalo de segundos, um outro trabalhador chega e chama Phineas, que se distrai, e antes que o ajudante colocasse a areia, ele se vira novamente e começa a empurrar para o buraco a pólvora com uma vara de ferro de aproximadamente 5 m. O empurrar provoca um atrito… com isso surgi uma faísca… e imediatamente depois, uma forte explosão sentida a Km no acampamento!

comportamento incrivel Phineas Gage - Inteligência Emocional: emoções e o caso Phineas Gage

Agora, ‘Phineas Gage’ está caído no chão e com a face arrebentada. Teria ele falecido na ocasião? Prepare-se, a seguir, para a parte mais intrigante.

Segundo relatos do professor Damásio, o ferro “entra pela face esquerda de Gage, trespassa a base do crânio, atravessa a parte anterior do cérebro e sai em alta velocidade pelo topo da cabeça” caindo a mais de 30 metros do local da explosão.

Apesar do exposto acima, acredite, Phineas Gage ficou atordoado, silencioso….mas consciente chegando a falar algumas poucas palavras. Saiu carregado pelos colegas e no trajeto até o atendimento, ficou sentado firme em uma carroça de boi e desceu de cima dela praticamente sozinho. Phineas fica sentado à frente do médico com uma fenda enorme na cabeça, porém, estava consciente.

Phineas Gage passou por um longo período de acompanhamento e tratamento sendo dado como recuperado ( são) em menos de 2 meses. Embora espantoso sua recuperação, seus comportamentos, sua personalidade, suas aspirações e gostos tiveram uma mudança drástica.

O Papel das Emoções: a descoberta

Phineas Gage recuperou suas forças. Podia caminhar, ouvir, sentir, não havia perdido nem a sensibilidade da língua. Embora tivesse perdido a visão do olho esquerdo, o olho direito enxergava perfeitamente.

Porém, se antes ele era visto como o “mais eficiente e capaz”, com “hábitos moderados”, equilibrado, inteligente, astuto nos negócios, enérgico e persistente, agora muita coisa havia mudado. Phineas não era mais o mesmo.

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Phineas Gage passou a demonstrar desrespeito às convenções sociais ao ponto de várias pessoas recusarem sua presença. Também, seus princípios éticos foram comprometidos, era como se seus sistemas de valores tivessem sido desligados das decisões práticas do dia a dia. Gage não conseguia mais fazer escolhas acertadas, inclusive, várias de suas decisões eram desvantajosas para si.

Apesar de assustador essa história, o fato é que esse caso foi um marco para os estudiosos do comportamento. Logo, o neurocientista Damásio, dentre várias de suas conclusões, cita:

“A redução das emoções pode construir uma fonte igualmente importante de comportamento irracional”.

Em outras palavras, as emoções, os sentimentos, o humor contribuem para a qualidade das decisões que tomamos. Elas são fundamentais e tem seu papel importante no processo de raciocínio. A razão não atua sozinha, razão e emoção andam juntas.

 Pilares da inteligência emocional

Cabe ressaltar, antes de mais nada, que inteligência emocional não significa simplesmente ser uma ‘pessoa simpática’ ou ‘colocar todos os sentimentos para fora’.

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O renomado psicólogo Daniel Goleman (PhD) cita que que inteligência emocional é a:

“Capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”.

Já para professor americano Hendrie Weisinger (PhD), inteligência emocional é, de forma direta:

 “Fazer intencionalmente com que suas emoções trabalhem a seu favor, usando-as como uma ajuda para ditar seu comportamento e seu raciocínio de maneira a aperfeiçoar seus resultados”.

A inteligência emocional provém de 4 componentes, que por sua vez se relacionam a determinadas competências e aptidões. Hendrie acrescenta: “cada nível subsequente incorpora as aptidões dos níveis anteriores, sendo construídos, assim, de forma hierárquica”.

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Então, quais seriam esses 4 componentes? Hendrie cita:

  1. Capacidade de captar, analisar e expressar acertadamente uma emoção;
  2. Capacidade de elaborar ou ter acesso a sentimentos quando eles puderem contribuir com a contribuição de si (ou de outrem);
  3. A capacidade de compreender as emoções e o conhecimento derivado delas;
  4. A capacidade de controlar as próprias emoções para promover o crescimento emocional e intelectual.

 Sobre uma outra perspectiva, a adotada por Daniel Goleman, esses 4 pilares se transforma em 2 grupos: os das competências pessoais e os das competências sociais.

Competências Pessoais

  • Conhecer as próprias emoções (autoconsciência): a incapacidade de observarmos e reconhecermos nossos sentimentos nos deixam à mercê deles;
  • Lidar com as emoções (autorregulação): pessoas com baixo domínio nessa competência tendem a demorar a se recuperar das perturbações e reverses da vida;
  • Motivar-se: implica saber adiar uma recompensa imediata para ganhos maiores no futuro. É entrar em um estado de “fluxo” de foco, de automotivação para dessa forma atingir a maestria e realizar mais.

 Competências Sociais

  • Reconhecer as emoções nos outros (empatia): aqui se insere a empatia, capacidade esta de entrar em sintonia com outro, com seus sutis aspectos, o que leva ao altruísmo;
  • Lidar com relacionamentos: arte de lidar com as emoções do outro e de interagir de forma interpessoal.

Como anda suas competências nesses pilares mencionados anteriormente? Quais resultados vem colhendo na vida por não ter determinadas competências emocionais?

 Praticando a inteligência emocional e as emoções positivas

Em vários circunstâncias, pessoais e ou profissionais, sozinho ou em contexto social, podemos praticar a inteligência emocional. Assim, estudiosos da área sugerem alguns exercícios e princípios, tais como:

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  • Preste a atenção nos seus “diálogos internos”;
  • Procure reduzir os seus julgamentos para poder ouvir de fato as pessoas;
  • Fique a atento aos seus “pensamentos automáticos”, a suas interpretações dos fatos e acontecimentos;
  • Não tente ler pensamentos e nem faça generalizações exageradas;
  • Não rotule os outros e a si mesmo;
  • Busque identificar e definir a real situação-problema;
  • Tire folgas, relaxe;
  • Faça exercícios físicos regularmente;
  • Pratique a meditação;
  • Tenha um caderninho para registrar suas emoções e suas origens;
  • Pratique a autopercepção e esteja aberto ao feedback dos outros, assim se conhecerá ainda melhor.

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Seja treinado por Paulo Vieira (Ph.D) agora

 

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